sobre IDiotas e SUPEREGOtas
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ninguém disse que seria fácil. but we stay and fight.
vê passar ela, como dança, balança, avança e recua
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.mãos coloridas
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21:03
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eu sempre me recusei a acreditar em horóscopo e eu não gostava dela porque ela fazia aniversário no mesmo dia que eu. a gente se trombava pelos corredores, uma olhando pra outra com o mesmo olhar de ‘não-vou-com-a-tua-cara’. aquele olhar que tem todo mundo que não consegue esconder o que sente. e assim foi por quase um ano, até a gente dividir a ansiedade da primeira viagem de trabalho pro exterior e comemorar com um abraço e vários ‘aaai, que legaaal, agentevai prabuenosaires quatrodiasdepois donossoaniversário!’. mas aí a gente lembrou que não ia com a cara uma da outra e se desfez do abraço, com aquele ar meio constrangido de quem é cabeça dura e não gosta de dar o braço a torcer.
o que a gente não sabia é que cada uma carregava dentro de si a mesma explosão iminente. o mesmo frio na barriga e a mesma cegueira de tudo que apresentam aqueles que estão no precipício, já se jogando pra se espatifar nas rochas dos amores que são impossíveis.
e foi num domingo de manhã que eu cheguei no aeroporto ainda embriagada de tequila e euforia e ela saiu pegando todos os saquinhos de vômito que ela viu nas poltronas vizinhas do avião e jogou tudo no meu colo. daí pra frente eu não saberia dizer exatamente o que aconteceu naquela viagem. sei que compramos as botas das nossas vidas. sei que choramos e rimos em medidas iguais, com a força de quem se entrega ao riso ou ao choro e eles se tornam eternos. sei que nos apaixonamos de mentirinha pelo mocinho do hotel (como era mesmo o nome dele?). sei que aprendemos que a gente sentia a mesma coisa e pensava a mesma coisa, ao mesmo tempo. e que a gente comunicava tudo isso com uma virada de olho. sei que os acontecimentos daquela semana (e daquele ano) ecoariam por muito e muito tempo.
talvez ela tenha sido mais forte do que eu. talvez eu tenha sido mais forte do que ela. o fato é que desde que pisamos de volta em sp, a gente soube que nunca mais seria a mesma pessoa de antes, que aquela semana tinha sido desenhada antes do dia em que a gente nasceu e que isso tinha alinhavado um afeto muito delicado e secreto entre a gente. e esse afeto acabou sendo cosido com linha grossa e nó cego pelo teor absurdo de todas as coincidências, por uma viagem cultural feita por impulso e pela proximidade intensa que só a convivência diária entre duas pessoas de sangue tão quente pode dar.
até que um dia, um mesmo dia duas ou três semanas atrás, um telegrama sacudiu a vida dela e um email sacudiu a minha, deixando nós duas no automático esperando as respostas que mudariam nossa vida tudodenovo. como não podia deixar de ser, as respostas vieram no mesmo dia - pra ela e pra mim, na última quinta. uma mudança pra ela, um desculpe e uma promessa pra mim.
e agora ela vai embora, levada por uma escolha também feita antes da gente chegar nesse mundo, aquelas escolhas que são feitas num circuito que os nossos sentidos não captam e tudo que a gente tem a fazer é comprar essa briga porque simplesmente não tem explicação.
vai ser como perder um pedaço, mas eu estou feliz. feliz por saber que essa tua escolha meio que representa tudo que a gente é e que talvez ninguém mais saiba. feliz por ter a certeza de que naquele 14 de março de 1985, a massa usada pra fazer pessoas veio com uns ingredientes errados (umas coisas a mais, muita coisa a menos) e ainda mais feliz de saber que essa solidão nunca mais será tão cruel - porque eu sei que tem alguém nesse mundo que é feita da mesma matéria que eu. e que esse alguém compreende o que eu faço antes mesmo de eu fazer e que pra esse alguém eu não preciso nunca me explicar.
gi, que grande encontro foi o nosso. seja insuportavelmente feliz e não desista nunca.
(eu, sempre aqui e... enfim, vc sabe.)
__________________________
p.s.: eu liguei o computador pra, escrevendo, tentar compreender um desamor e não desistir.
mas eu acabei falando dela. acho que porque a existência dela me enche de esperança.
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17:12
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the cinematic orchestra com patrick watson e as coisas que são bonitas.
home.
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::::: abrace esta causa, música, na estante, video
na próxima encarnação (ou sei lá, nessa mesma - porque a gente nunca sabe onde vão parar essas modernidades), eu quero vir com algumas cositas-más:
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16:19
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feliz dia dos namorados, pra quem é de amores (todomundo, né?).
(eu estou fazendo um protesto silencioso, apesar de tudo. coloquei a minha maior calçola e vou comer alho até o cheiro sair pelos poros. conforto ridículo, i know. but i'm still dancing with myself)
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08:14
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::::: quadrinhos, video
estou em pânico e eufórica.
é preciso que aconteça rápido.
já tenho algumas ilusões novinhas engatilhadas, just in case.
(estou girando e vivendo a vida no automático até alguma resposta. me desejem sorte. e me amem muito.)
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20:10
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que diz assim:poke the body with a stick, roll it down
ignore the moaning as it tumbles to the ground
be brave and save your day
you have to do what you must
to save your day.
be brave and save your day.
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18:56
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::::: música, na estante
eu estava com medo. muito medo desse filme do meirelles. creio que porque foi um dos livros que mais marcou a minha vida, lido duas vezes em momentos que eu precisava de ar e porrada. também porque as últimas experiências ame-o-livro-veja-o-filme foram no mínimo devastadoras (como exemplo, a grande porcaria que o babenco fez sobre 'o passado', que eu nem vou comentar porque me tira do sério. mesmo.).
mas depois de ver esse video tão grande e tão-verdade, não tem mais crítica nem medo nem nada.
in saramago i trust. vai que é tua, meirelles.
p.s.: também já beijei a careca dele, tá?
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11:59
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::::: cinema, literatura, na estante, video
they danced down the streets like dingledodies, and i shambled after as i've been doing all my life after people who interest me, because the only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes "awww!"
on the road. sal, ch.1
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12:59
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::::: literatura, na estante
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16:25
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::::: aham, ai meus hormônios, descarrego
sabe o que é fogo? ter dois hormônios sexuais. sério.
eu não tenho a menor idéia se isso tem algum fundamento científico. e honestamente quero que todos os fundamentos se danem. os fundamentos e a racionalidade e as escolhas ponderadas. que tudo isso se dane. eu tenho essa teoria e ela faz muito sentido.
quer ver? sabe quando a pessoa tem dois chefes? duas festas ótimas na mesma noite? sabe quando tem alguém sobrando? um chato no meinho? então. é o mesmo princípio.
sem querer menosprezar todos os outros hormônios (principalmente a serotonina, as endorfinas e a adrenalina, que são hormônios tããão bacanas), mas todo mundo sabe que, querendo ou não, comportamento sexual está no alicerce de qualquer outra esfera da vida de uma pessoa. o sigmundo fez o favor de vulgarizar essa premissa e eu até reconheço a razão das críticas, mas acontece que negá-la só prova que você é um frustrado que quer comer (dar) a (pro) sua (seu) mãe (pai). enfim. no fundo somos todos ratinhos em gaiolas apertando botões para garantir nossas necessidades básicas. e sexo, pessoal, está lá na base do maslow, junto com alimentação e abrigo.
eu não sei se estou me fazendo entender. a grande questão é que muito embora a gente viva sob uma névoa de complexidade, o que prevalece é a nossa essência primitiva: o instinto, a ordem ancestral do estado das coisas. por alguma forma (preciso desenvolver uma teoria para isso), a humanidade organizou o mundo da forma que organizou, só que essa pressuposta ordem flutua sob a maré do caos e da entropia. antes dos segundos e minutos, existe o instante. antes de todas as palavras e sintaxes e retóricas, existe um monte de coisas que não têm nome. as coisas que não conseguimos explicar. as coisas que nem 657 páginas não bastam. antes das previsões dos especialistas e suas máquinas, ação do acaso.
e antes de todos os meus planos, a intervenção dos impulsos que são insuportáveis.
e não venham me dizer que esses impulsos não estão absolutamente ligados à ação hormonal. e não venham me dizer que homens e mulheres são igualmente levados. porque não são. e ponto. e isso é provado pela teoria da grande verdade entre as pernas. voilà:
na corrente sanguínea dos homens, é tudo muito descomplicado, trânsito de mão-única: uma rua sobe, a outra desce e a outra sobe e a seguinte desce e fica tudo muito organizado. é só testosterona pra lá e pra cá fluindo serelepe, tecendo pêlos, içando partes musculares sobressalentes, seqüelando áreas importantes do cérebro e da psique como: o bom gosto, a memória, a capacidade de compreender sutilezas, assumir escolhas e distinguir certas matizes de azul. testosterona pra lá e engrossando a voz, alguns modos e o instinto de competição. testosterona pra cá e incitando comportamentos animais e inconseqüentes (sim, é pessoal). enfim, uma tarefinha hormonal aqui, outra ali, tudo muito óbvio e objetivo. dá-lhe testosterona, futebol, senso de direção, comida gordurosa e movimentos cervicais involuntários desencadeados por bunda! porque antes da complexidade, o mundo dos homens é o incrível lugar onde as coisas são o que as coisas parecem que elas são.
agora, com os seres humanos do sexo feminino a coisa é um pouco mais complicada. culpa completa da dualidade sexo-hormonal supracitada. são dois - dois – hormônios em constante luta pelo domínio do império das entranhas do corpo feminino. dois hormônios safados que se encarregam, dentre outras coisas não menos nefastas, de acumular gordura nos quadris e influenciar afetos e semear a discórdia. porque uma vez por mês, cada um deles prepara o grande golpe: estrógeno e progesterona movendo suas tropas desordenadamente. estrógeno e progesterona, cada um em busca do seu estado absoluto: o grande choque hormonal sem vencedores que derrama sangue inocente, o combate cíclico e sem-fim pela plenitude de um governo hormonal totalitário.
confrontando esses dois modus biologicus endussexualis operandi, podemos perceber o sadismo inveterado de seja lá que deus que bolou o sistema dessa maneira. tudo bem que é preciso garantir coisinhas macias no útero pra receber o bebê e é preciso pêlos, peitos e feromônios para que homens e mulheres queiram se aventurar num intercurso amoroso. enfim, é preciso formatar os seres de modo que eles garantam a permanência da espécie. mas fazer de cada mulher uma pequena faixa de gaza ambulante foi totalmente desnecessário. desnecessário e agora, incontornável - pelo menos até que darwin reencarne mega-cientista e crie uma função evolutiva fast forward. enquanto isso não acontece, você - meu caro portador de testosterona - honre as glândulas endócrinas que você carrega entre as pernas.
levante uma bandeira branca e intervenha!
cada mulher já é um território em guerra por si só. vamos lá. sejam sempre os bons meninos.
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12:53
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- que espécie de gente vive por aqui?
- naquela direção - disse o gato, apontando com a pata direita - mora um chapeleiro. e naquela - acrescentou, levantando a outra pata - mora a lebre de março. visite um ou o outro, tanto faz: ambos são loucos.
- mas eu não quero me meter com gente louca - observou alice.
- você não pode evitar isso - replicou o gato - todos nós aqui somos loucos. eu sou louco. você é louca.
- como sabe que eu sou louca? -
- só pode ser - disse o gato - ou não teria vindo até aqui.lewis carroll, alice no país das maravilhas
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14:23
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::::: e não é que é?, literatura, na estante
we planned that crime together. i sedated the victim, you shot her to death. i did rounds to see if no one was watching, you hid the body in my trunk. you said you had to get something done before we go. i said it was ok. "don't take too long, right?" you kissed me in the forehead "i won't. it will be just fine". i closed my eyes. you left.
and so i waited
and waited
and waited
and waited.
for restless unending hours.
so i started driving nowhere, looking for your remains, desperately praying for you to be fine and fighting against the image of you being somehow hurt, unable to go back and help me get rid of that crap so that things would be ok.
but you weren't hurt.
you weren't harmed.
you just weren't there.
you'd left me with the heavy burden and the proofs of the crime we committed together. i got lost and i cried and i could not grasp that situation and i walked in circles and i cried more. and after a while, i was somehow fine, enlightened by the divine amnesia that time provides. and loads of chocolate. and distractions. and alibis.
but still, there are some days just like today (the kind of day it is supposed to rain but it doesn't) that i feel the fruity scent of something sweet and sour. and it smells like fresh starts. or strawberry jelly being baked inside corn bread. or cotton sheets after sex. or youth.
but it's none of that.
as the scent becomes more intense, i realize: i've kept that corpse inside my trunk.
and sometimes it stinks really bad.
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12:19
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excuse me sir
i'm lost
i'm looking for a place
where i can get lost
i'm looking for a home
for my malfunctioning being
i'm looking for the mechanical music museum
this is a warning
i'll spell it out for you, for you
excuse me son i'm found
i'm looking for a place
where i was once found
there's nothing in a world
where the melody is broken
there's always some way
to make a silence be spoken
hot chip will break your legs
snap off your head
bonjour! :)
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11:42
1 de outros
::::: música, na estante