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terça-feira, 29 de abril de 2008

e eventualmente

eu vou te contar onde eu estive por todo esse tempo em que não estive aqui. e vou te contar como cada pequena escolha do dia fez sentido no momento em que você sorriu se afastando de mim naquela noite. e como o 'tudo-está-na-natureza-encadeado-e-em-movimento' me veio à mente bem naquela hora, levado rapidamente por algum fluxo de álcool e euforia de modo que só lembrei que pensei nisso uns 3 dias depois. e vou contar que foi esse verso repetindo em primeiro plano que tapou minha atenção da pergunta que você fez. e então eu ri. não porque a pergunta foi absurda, como vc encabulou depois. mas porque eu estivesse planando numa corrente de pensamentos involuntários na joana e no caldeirão de veneno e em como é engraçado o coentro combinar tanto com a tristeza e em como todas as cores dessa cena são lavadas em tons de marrom e oliva e em como o 'pote-até-aqui-de-lágrima' era cla-ra-mente o caldeirão de fermento da joana e em como eu não tinha percebido isso antes porque tudo parecia tão claro naquela hora. e eu vou te contar talvez de todos os caminhos que me levaram até debaixo daquela luz laranja aquele dia. desde uns 20 anos antes. e vou contar das férias na praia, uma de tantas, na qual meu ombro esquerdo ganhou uma sarda pela primeira vez. e como eu fiquei feliz por ter ido à praia todas aquelas férias, só de ver você achando graça de um jeito tão bonito de como as sardas do meu ombro formavam um desenho que pra vc era parecido com a estampa da tua camiseta. e vou contar como eu odiava andar de bicicleta e vou te educar no vocabulário das minhas gírias e na sintaxe das minhas escolhas. e vou contar como um trem pode descarrilar pra dois lados da estrada, ao mesmo tempo. e vou mostrar o caminho das cicatrizes que se podem ver a olho nu e devagar você vai entender que existem tantas outras cicatrizes que no fundo são iguais às tuas e de todo mundo, mas que eu tratei com vinagre e veneno e por isso a carne granulada da regeneração me impede de realizar certas manobras e algumas coisas tão fáceis de se ver por aí, pra mim são seis meses de recuperação porque na maioria das vezes sempre tem uns pontos que arrebentam e uma parte do corte que abre e sangra de novo e todos esses tormentos que passam os que cultivaram os ferimentos das guerras.

e se tudo sair como está escrito nos livros que têm um final feliz, talvez um dia eu te conte que há muito eu não via nada mais bonito que essas tuas maneiras desajeitadas, que na verdade eu odeio os autores russos e que pela primeira vez eu lamentei ter dentro de mim o peso de tanto passado. não pelo passado em si (porque já foi suficientemente velado) mas por ele não me permitir no hoje outra escolha senão ir embora.

e no meio de alguns risos e fios de cabelo, você vai dizer que eu sou tão boba e sem ter prestado atenção em absolutamente nada do que eu disse, vai continuar brincando de constelação nas sardas de sol de todas as memórias estampadas no meu ombro.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

wishful thinking

i like to think that ours will be more than just another story
of failed love and penumbras of desire. i like to think
that the moon that day was in whatever house the astrologists
would have it in for a kind of quiet, a trellis lust could climb
easily and then subside, resting against the sills and ledges,
giving way like shore to an occasional tenderness, coddling
the cold idiosyncrasies of impulse and weather that pound it
as it holds to its shape against the winds and duststorms of
temptation and longing. i like to think that some small canister
of hope and tranquility washed ashore that day and we, in
the right place, found it. these are the things i imagine
all lovers wish for amid the hot commencements of love
and promises, their histories and failures washing ashore
like flotsam, their innards girthed against those architects
of misery, desire and restlessness, their hopes rising
against the air as it fondles the waves and frolics them skywards.
i like to think that, if the heart pauses awhile in a single place,
it finds a home somewhere, like a vagabond lured by fatigue
to an unlikely town and, with sudden peacefulness, deciding
to stay there. i like to think these things because, whether
or not they reach fruition, they provide the heart with a kind
of solace, the way poetry does, or all forms of tenderness
that issue out amid the deserts of failed love and petulant desire.
i like to think them because, meditated on amid this pattern
of off-white and darkness, they lend themselves to a kind of
music, not unlike the music a dove makes as it circles the trees,
not unlike the sun and the earth and their orbital brothers,
the planets, as they chant to the heavens their longing for hope
and repetition amid orderly movement, not unlike the music
these humble wishes make with their cantata of willfulness
and good intentions, looking for some pleasant abstractions
amid our concretized lives, something tender and lovely to
defy the times with, quiet and palpable amid the flickers of flux
and the flames of longing: a bird rising over the ashes, a dream.
michael blumenthal. o 'cara da ácaro'.

amém. (tododiatododia)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

morning pray

video

stay and fight stay and fight stay and fight

terça-feira, 8 de abril de 2008

meuleskine

é com grande satisfação que corto a fita imaginária de inauguração dum espaço muito muito especial neste blog: a galeria dos melhores momentos dos meus moleskines

aqui do lado, ó >>>

pra quem não sabe, moleskine é um caderninho incrível. tão incrível quanto pode um caderninho ser incrível. eu não saberia dizer exatamente, mas é um bololô de features que os elevam pra categoria de coisas ideias: eles são italianos (chaaarming), têm as arestas arredondadinhas e um elástico de fechar (genial pra alguém despistada e desorganizada como eu), as folhas são cremes-cosy e não branco-blinding, tem um bolsinho pra guardar tralhas e toda uma aura de importância que faz com que cada coisinha colocada nele seja um pedacinho de arte pessoal semi-eternizada (o papel é acid-free, pra deixar pros netos e tal).
enfim, são muito muito elegantes.

outra coisa bacana é que tem vários tipos, tamanhos e truques. e eu demorei 4 moleskines até eleger o meu.

na verdade, eu não me lembro muito bem de como fiquei sabendo dele. devo ter visto n'algum site ou revista. o fato é que de pronto eu achei o máximo e logo de cara eu soube que aquela pequena frescura seria a redenção pro meu hábito de abandonar caderninhos, agendas e afins tão logo eles perdessem a qualidade de novos. o fato é que é realmente difícil encontrar aqui no brasil, principalmente por um preço que não beire a pornografia (na papel craft, por exemplo, eles custam a partir de $120,) e como eu ainda não estava escolada em compras gringas pela internet e todas as pessoas que viajavam faziam uma cara de ãh? quando eu encomendava meu caderninho ('vc quer que eu te traga um ca-der-ni-nho?'), minha vida de abandonadora de bloquinhos seguiu por alguns meses.

até que uma manhã, numa época em que eu oscilava entre euforia e angústia, dominada pelos sentimentos que são arrebatadores, um pacotinho prateado em cima do meu teclado inaugurou a era dos moleskines na minha vida. não era o pretinho clássico que eu esperava, mas sim um azul-bic de capa de tecido, da edição especial do museu van gogh. de qualquer forma, meus olhos saltaram uns 3 centímetros e eu quis sair pulando por aí. eu tinha nas minhas mãos o meu primeiro moleskine.

admito que não nos demos muito bem. ele era um sketch book dos pequenininhos, com folhas grossas pra aquarela e nada práticas pra escrever ou rabiscar. fora isso, ele tinha que dividir as atenções com a minha gigante agenda do sesc (preciso da pré-formatação das agendas pra viver socialmente). e, poxa vida, aquilo era um moleskine! eu me sentia extremamente intimidada pela responsabilidade do uso de cada uma daquelas páginas. o resultado foi uma convivência próxima, porém cautelosa. dentro dele, nada muito interessante: só alguns tormentos, algumas idéias e a lista dos terapeutas que eu conheci - com comentários. tudo nele a lápis. eu, rendida àquela presença ilustre, o exibia por ai, educava os amigos na existência dos moleskines e até, tempos depois, quando reencontrei um moço que era orientado pelo mesmo professor que orientava meu grupo de pge, fui reconhecida como 'a menina do caderninho azul'. enfim.

o segundo (o pretinho-pocket-capa dura-quadriculado-clássico-tudo) e o terceiro (weekly planner-2007-pocket-edição especial de capa dura vermelha) eu comprei ao mesmo tempo, via e-bay. quando chegaram, fui direto no original - il leggendario taccuino nero degli artisti e intellettuali europei: da van gogh a picasso, da ernest hemingway a chatwin. mas começou 2007, me afeiçoei pelo vermelhinho e aí descobri que o meu moleskine perfeito seria o weekly planner com uma página de dias e outra com linhas. uma página pra compromissos e outra pros desatinos. metade da vida no agora e metade no céu. já chegava março daquele ano e o pretinho seguia intacto, até com o rotulozinho. acabei repassando para uma amiga dar de presente prum paquera estiloso e assim acabou a minha história com o moleskine clássicão (e a paquera da minha amiga, btw, não durou muito mais que isso).
vivemos grandes momentos naquele ano, eu e o vermelhinho: méxico, interrogatório na salinha de imigração dos eua, ausência na flip, hospital depois de alguma farra inconsequente, pesquisa de preço do meu primeiro carro, rabiscos de raiva, desenhos de coisas que são bonitas, algumas letras de tristeza e registros de grandes e pequenas coisas que não se deve esquecer. o único problema foi que a capa vermelha foi ficando suja e a lateral da encadernação arrebentou, lá pra meados de agosto.

em dezembro, uma amiga de ny viria visitar e eu logo tratei de pedir o meu quarto moleskine, um weekly planner 2008. dessa vez, o pretinho mesmo, de capa dura, pequenininho e grande ícone. quando nos encontramos no shopping morumbi, eu, descontrol, avancei na sacolinha da barnes&noble antes mesmo do abraço amigo de matar saudade. ops. só que minha amiga, na hora de comprar, tinha esquecido meu e-meio com a descrição minuciosa da encomenda e acabou trazendo um moleskine soft-cover maiorzão (giganteskine + moleskine). eu ligeriamente derreti de decepção mas deixei pra lá. passou aquele mês e eu só fui explorar o novo moleskine no primeiro dia do ano, depois da ressaca (eu geralmente pego as agendas dos anos seguintes alguns bons dias antes da virada, pra marcar aniversários e datas importantes e me habituar com aquilo que será meu fiel escudeiro por 365 dias). o objetivo da exploração era ver se daria pra alguém e compraria outra agenda ou se serviria aquela mesmo. acontece que pra mim, os moleskines são extremamente cativantes. então, fiquei. fiquei e despretensiosamente fui usando e acabei descobrindo que o fato de ele ser grande é muito bom pra desenhos e colagens. a capa molengona não tem o mesmo charme da capa dura, mas tb é a prova de mirellas e não acho que a encadernação colapse antes do fim do ano. :) long live meu moleskine perfeitinho.


na galeria ao lado (direciona pro flickr), vou começar colocando as melhores páginas do primeiro e do terceiro. como toda anotação pessoal e primariamente confidencial, tem algumas coisas absurdas e outras com altíssimo grau de exposição. por isso, algumas coisas estarão em blur, mas prometo que deixo legível a maior parte de tudo.
pouco a pouco vou adicionando os grandes momentos do moleskine atual. prometo que sempre vai ter alguma coisinha nova.


enjoy the gallery.
art up your life.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

da crise que assola o futebol contemporâneo

(sigh)
saudoso do tempo em que o brasil foi hexa.
porque hoje, meus caros, o time tá tirando o calção pela cabeça e matando um dragão por dia só pra entrar em campo completo.

e o esforço não dá nem pros 20 do primeiro tempo.